Conheça a bebida que ganhou o mundo no Super Bowl: Pitorro, o destilado preferido de Bad Bunny

Curioso? O pitorro, também chamado de cañita, é uma bebida alcoólica artesanal, feita a partir da cana-de-açúcar; saiba sua história, seus principais estilos e sabores

Se eu te oferecesse um pitorro você aceitaria? Provavelmente não e ainda me perguntaria do que se trata. Mas e seu te dissesse que é a bebida preferida do Bad Bunny? Para não te deixar mais curioso já te respondo: o drink ganhou o mundo no palco do Super Bowl. Ele deixou de ser um destilado comum de cana-de-açúcar e alto teor alcoólico, para fazer parte do universo do artista em um dos eventos mais vistos do mundo.

Poucos acreditavam na grande repercussão do show do cantor Bad Bunny no intervalo do Super Bowl. O impacto superou o mercado musical e difundiu a cultura porto-riquenha mundo afora. Ele usou a oportunidade e usou elementos fortes da sua terra natal, o que abriu um portal para a divulgação do comportamento latino. A procura pela bebida pitorro cresceu e a OLLI Magazine te apresenta o novo queridinho das destilarias.

O que é o pitorro?

O pitorro, também chamado de cañita, é a moonshine original de Porto Rico. Uma bebida alcoólica artesanal, ela é feita a partir da cana-de-açúcar. É parecido com uma aguardente ou um rum bem rústico — forte, intenso e nada discreto. Em muitos casos, passa fácil dos 40% de álcool. É bebida de raiz. Daquelas que não nascem para agradar turista, mas para aquecer conversa, festa e memória de família.

Por muito tempo, o pitorro foi produzido de forma caseira, quase sempre de forma clandestina. No início, era produzido nas regiões montanhosas remotas sem aromatização, e consumido após o trabalho exaustivo nos canaviais da ilha. Era comum nas festas de fim de ano e nos encontros familiares. Cada casa tinha sua receita, seu jeito, seu segredo. Mas todas tinham algo em comum: a essência de uma bebida forte, direta e sem frescura.

O momento de glória

Depois de viver um momento marginal, refletir a realidade do homem pobre e trabalhador de Porto Rico, a produção do pitorro evoluiu. Hoje, a tradição envolve curar ou infusionar com frutas secas, tropicais, café e especiarias para suavizar suas arestas, adoçar o sabor e acrescentar profundidade aromática e textura. Quem prova não está apenas experimentando álcool. Está bebendo história, identidade e o espírito de um povo que transformou simplicidade em símbolo.

Atualmente, o pitorro existe em dois mundos paralelos. Um permanece na economia doméstica e sazonal, com garrafas artesanais compartilhadas no Natal, servidas nas mesas familiares. O outro é uma categoria emergente de bebida licenciada, produzida por pequenas destilarias em Porto Rico e por engarrafadores no exterior, oferecendo um destilado com graduação alcoólica definida, rótulos e perfis de sabor consistentes.

As quatro principais versões

Apesar dos diferentes estilos, pitorro tem quatro variações principais. O Blanco (Cañita) é a versão mais pura e ancestral, sem aromatização, com aromas de cana fresca, melaço leve e pimenta, paladar seco, potente e alcoólico, lembrando um rum moonshine. Costuma ter entre 35% e 50% de álcool nas versões comerciais, podendo ser ainda mais forte nas produções familiares.

Já os pitorros aromatizados incluem o Curado Tradicional, com frutas secas e especiarias como canela e cravo. Sendo mais doce, macio e de final longo. Já as versões com frutas tropicais frescas — coco, maracujá, tamarindo e outras — são mais aromáticas e acessíveis. E por fim, o Bilí, típico da ilha de Vieques, é feito com quenepa, de perfil doce-ácido, frutado e final médio, quente e perfumado.

Marcas de pitorro

A Destilería Coquí, Inc., de Mayagüez, engarrafa pitorros para venda local em Porto Rico — oficialmente não exporta, mas aparece em mercearias porto-riquenhas nos Estados Unidos. O Blanco (35% ABV) é limpo, seco e direto, com cana, leve melaço, vegetal discreto e pimenta. O Café (35%) puxa para sobremesa, com café torrado, cacau, mocha e caramelo, textura mais macia. O Parcha (35%) é aromático, doce-ácido, quase licoroso e fácil de beber. Já Tamarindo e Coco (15%) são mais leves: o primeiro agridoce, ácido e o segundo cremoso, doce.

A San Juan Artisan Distillers, de Vega Alta, também em Porto Rico, opera em modelo de fazenda e posiciona a linha Tresclavos (30% ABV) como rum de cana infusionado com frutas locais, sem conservantes/corantes — perfil mais próximo de licor, pensado para consumo casual e coquetéis: Passion Parcha (doce-ácido, vibrante e final longo), Bilí (quenepa, herbal leve, refrescante e final perfumado) e sabores únicos (Ginger Spice, Coco Loco, Sweet Piña, Rumba Mango, Tuti Fruits) com identidade clara de cada ingrediente.

A Casa W Distillery, de Wyomissing (EUA), engarrafa múltiplas expressões (35% a 50% ABV) e afirma evitar aditivos artificiais. Os Clásico/Raisin/Prune/Spiced/Passion Fruit (50%) partem do Blanco e ganham frutas secas e especiarias — nariz de bolo de frutas e especiarias de confeitaria, boca encorpada e macia. O Tamarindo (35%) é doce-ácido e refrescante. O Piña (35%) traz abacaxi maduro, leve e voltado a coquetéis. E o Coconut (40%) entrega coco e baunilha com rum mais presente, textura cremosa e final médio, doce e persistente.

A Puerto Rico Distillery, em Brunswick (EUA), produz o Clandestino Pitorro e apresenta a bebida como ‘o rum original de Porto Rico’, termo citado desde 1797, resgatando o estilo caseiro tradicional das festas de Natal. A linha inclui Classic (seco, limpo e quente, com base direta de cana/melaço), Traditional (uvas-passas, ameixas e cranberry, mais macio e arredondado, no estilo curado), Almond (amêndoa, açúcar mascavo e mel), Coconut, Pineapple com mel, Coffee (com grãos torrados em Manatí) e Coconut Chai, além de sabores sazonais como tamarindo, maracujá, manga com mel, kiwi e butter pecan.

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