Os principais sinais da doença são nódulos, caroços ou ínguas no pescoço, alteração na voz, manchas brancas ou vermelhas na boca, feridas ou aftas que não cicatrizam há mais de 15 dias e dores na boca e na face ao engolir
Hábitos que adquirimos ao longo da vida estão ligados diretamente à quantos anos você ainda tem pela frente. A campanha ‘Maio Vermelho’ traz para a pauta essa discussão, já que alerta sobre os malefícios do uso de tabaco, álcool, a obesidade e também como a poluição do ar nos influencia. O cerne desse esforço do Ministério da Saúde é chamar a atenção para as formas de prevenção ao câncer de boca, que envolve todas essas práticas prejudiciais e tem se tornado mais comum nos últimos anos.
A incidência e mortalidade pelo câncer continuará crescendo. O Brasil poderá registrar cerca de 554 mil mortes em 2050, um aumento de 98,6% em relação aos dados de 2022. As projeções foram divulgadas pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc). Um dos tumores mais comuns entre os brasileiros, com estimativa de 15 mil casos por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é o câncer de boca e orofaringe. Por isso a campanha ‘Maio Vermelho’, alusiva ao dia 31 de maio, data o Dia de Luta Contra o Câncer Bucal.
Preocupante! Pois bem, números chocantes servem como um alerta para que possamos repensar modos de viver e nos conscientizar. Durante a campanha, especialistas compartilham principais meios para prevenir e diagnosticar precocemente o câncer bucal. Este tipo da doença, também conhecido como câncer de lábio e cavidade oral, pode afetar lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, língua (nas bordas, principalmente), amígdalas e a região embaixo da língua.
Segundo a cirurgiã dentista Angélica Siqueira, apesar de poder apresentar diferentes tipos de manifestação, os principais sinais são nódulos, caroços ou ínguas no pescoço, alteração na voz, manchas brancas ou vermelhas na boca, feridas ou aftas que não cicatrizam há mais de 15 dias e dores na boca e na face ao engolir. Um exemplo que ficou famoso foi o do integrante do Titãs Branco Mello. Ele descobriu o tumor em 2019, entre radioterapia, quimioterapia e duas cirurgias, a última no fim de 2023, se recuperou. Ele segue cantando pelos palcos do mundo.
“Cantar sempre fez parte da minha vida e eu não tinha ideia de como ficaria minha voz e nem mesmo se voltaria a falar. Quando acordei da operação e ouvi da Angela, minha esposa há mais de trinta anos, que tudo correra bem e a equipe médica havia removido apenas metade da laringe — ou seja, a corda vocal direita pôde ser preservada —, fiquei tão feliz e aliviado que é difícil descrever em palavras. Eu teria uma voz e uma vida diferentes, mas estava vivo”, disse em agosto de 2023 à revista Veja.
A maior taxa de incidência da doença está entre homens acima dos 40 anos. Entre as principais causas do tumor está o tabagismo, tanto com o cigarro convencional quanto com o eletrônico, que vem se mostrando cada vez mais nocivo à saúde. Além disso, conforme explica Angélica Siqueira, o consumo de álcool em excesso, a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) e, em alguns casos, o histórico da doença na família também são fatores de risco. A indicação é consultar um médico especialista caso tenha algum sintoma.
Tratamento e prevenção
A higiene bucal, o autoexame e a vacina contra o HPV são as principais formas de prevenção, aliadas a visitas regulares ao cirurgião dentista ou médico, estando sempre atento para os possíveis sinais da doença. “Quando falamos de autoexame, é sobre procurar e identificar tudo o que é incomum na boca para buscar o tratamento precocemente. Consultar o dentista regularmente também é uma forma de diagnosticar o câncer de boca nos estágios iniciais da doença, o que aumenta as chances de cura”, informa Angélica Siqueira.
A escolha do melhor tratamento para o câncer de boca é feita após o diagnóstico da doença, que ocorre por meio de exame clínico (visual), com confirmação da biópsia. “Após esse processo, o cirurgião especializado irá avaliar o estágio da doença associado a exames complementares, que determinarão o tratamento mais indicado”, explica o médico oncologista clínico do Centro de Oncologia IHG, Augusto Rodrigues Araújo Neto.
De acordo com o médico, a cirurgia normalmente consiste na retirada da área afetada pelo tumor associada à remoção dos linfonodos do pescoço e algum tipo de reconstrução quando necessário. “Nas lesões mais simples, muitas vezes é necessário apenas a retirada da lesão. No entanto, quando o quadro do paciente é mais complexo, a radioterapia e a quimioterapia são indicadas, pois a cirurgia não é possível ou pode trazer sequelas funcionais importantes e complicadas para a reabilitação e a qualidade de vida do paciente”, esclarece.
Para evitar o desenvolvimento e os estágios mais avançados do tumor, a prevenção é de extrema importância. O oncologista destaca que além de evitar o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas, manter o peso corporal dentro dos limites da normalidade, com uma alimentação mais natural; garantir a boa higiene bucal e usar preservativo na prática do sexo oral, para evitar a infecção por HPV, também são recomendações médicas para prevenção ao câncer de boca.
