Turismo musical: vamos viajar para viver novas experiências?

Essa nova tendência turística se resume em qualquer atividade realizada por um visitante cuja motivação primária da viagem seja relacionada à música

Nesta semana, não se fala em outra coisa que não seja o show da Madonna em Copacabana, no Rio de Janeiro. Uns com percepções negativas, outras nem tanto, mas a pauta segue sendo assunto. Alheios à representação artística do show, é possível pensar também no impacto turístico que a diva pop causou. O evento atraiu cerca de 150 mil turistas nacionais e internacionais e teve 96 % de ocupação hoteleira em Copacabana e bairros próximos. Números que traz uma reflexão: grandes shows são uma nova tendência para alavancar o turismo?

O Governo do Rio de Janeiro divulgou, nesta segunda-feira (6), o balanço da megaoperação para a apresentação da cantora Madonna, que aconteceu no último sábado (4) e reuniu 1,6 milhão de pessoas. Em retorno para o município, o balanço estima que a presença da pop star na cidade gerou mais de 300 milhões de reais à economia carioca. Isso deve-se ao fato de ter um grande público, sendo muitos deles turistas. E eu te digo que isso não é exclusividade da artista, hoje é recorrente vermos pessoas direcionando suas viagens de acordo com suas pretensões musicais.

Assim dito, estamos de frente com uma nova tendência do turismo. Em 2024, mais pessoas estão priorizando viagens e experiências inovadoras e viajar para ver seus artistas favoritos pode ser inspirador. Ao redor do mundo, esse segmento, o turismo musical, cresce em números, une pessoas e gera receita. Já existe até nome para esse hábito de associar música e geografia: ‘topofilia musical’, ou seja, aquela conexão que criamos com um lugar que oferece a oportunidade de nos aproximarmos da natureza intangível da música.

Já diziam que a música é uma linguagem universal. Quando unida à viagem, pode até não parecer uma junção óbvia, mas me parece perfeita para quem quer viver experiências marcantes. Seja para assistir aquele show inesquecível, visitar locais que artistas que você admira passaram, ou conhecer um lugar que faz referência à um gênero de sua preferência, vale a pena investir em um roteiro que te traga memórias afetivas por meio da música. E se você nunca ouviu falar do turismo musical, te apresento ótimos exemplos.

Comecemos pelos grandes festivais. O ‘Coachella’, realizado nos Estados Unidos é um dos eventos musicais mais conhecidos. O ‘Glastonbury’, na Inglaterra, é o segundo maior festival de música a céu aberto do mundo. Já o ‘Primavera Sound’, na Espanha, é o maior e mais visitado festival de música do Mediterrâneo. ‘Splendour in the Grass’, Austrália, é o evento mais famoso do país nas últimas décadas. E se você estiver pela França, vale a pena passar pelo ‘Rock en Seine’, um evento que reúne apaixonados por música de todo o mundo.

Agora, se você quer uma experiência musical mais tranquila, é possível encarar ótimos roteiros que fazem uma viagem pela história de grandes artistas. Que tal fazer uma bela foto na faixa de pedestres da Abbey Road, em Londres, reproduzindo a icônica capa do álbum homônimo dos Beatles? Ou na mansão Graceland, onde Elvis Presley viveu, em Memphis (EUA)? E claro, um tour pela cidade de Berlim, na Alemanha, passando pelos locais preferidos de David Bowie durante os anos que ele viveu e compôs ali, também não é má ideia.

O fato é que estamos em busca de coisas que nos motivam e nos dê sentido. Com os destinos turísticos, essa tendência não seria diferente. Queremos ser impactados e surpreendidos, e a música pode ser esse agente transformador. Turistas de todas as idades estão em busca dessas experiências e preparados para pagar por elas. Estamos cada vez mais inclinados a viajar como uma forma de transformação pessoal, por meio da história, da literatura e da gastronomia. E a música também foi feita para isso.

Se considerarmos que o turismo musical é qualquer atividade realizada por um visitante cuja motivação primária da viagem seja relacionada à música; e que o Brasil tem uma riqueza enorme de gêneros musicais, cada um com sua origem e características únicas; concluímos que aqui também é uma fonte inesgotável de destinos que agregam experiências aos amantes da música. São Paulo talvez seja a cidade brasileira que mais recebe shows e grandes festivais. Podemos enumerar diversos, mas vamos além, como podemos respirar música na capital?

Fundado em 1970, o MIS registra e preserva imagens e sons do passado e do presente

Museu da Imagem e do Som (MIS)

Aos musicomaníacos, uma parada no Museu da Imagem e do Som é obrigatória. Fundado em 1970, ele registra e preserva imagens e sons do passado, mas também do presente. Conta também a história audiovisual da cidade. Somente o acervo musical possui cerca de 3700 entradas. Há uma sala de pesquisa equipada com televisores, aparelhos de DVD, CD, VHS e fita cassete. A consulta à midiateca é aberta ao público e gratuita, mas tem que ser agendada.
Serviço
Onde: Av. Europa, Nº 158, Jardim Europa – São Paulo
Horário: 10h às 20h (terças a sextas), 10h às 21h (sábados) e 10h às 19h (domingos)
Informações: mis-sp.org.br

A loja de vinis Woodstock recebeu em 1994 o Sepultura para uma tarde de autógrafos e a fila mostra o sucesso

Woodstock Discos

Essa é uma dica para todo mundo que gosta de música, mas em especial para os que curtem heavy metal. A loja Woodstock abriu em 1978, quando Walcir Chalas decidiu vender sua grande coleção de discos de rock. Inicialmente, a loja vendia discos de artistas como os Beatles, Rolling Stones e todos os demais nomes importantes da década de 70. Com o tempo, a loja diversificou as vendas. Ela é até hoje um ponto de encontro para amantes da música e colecionadores.
Serviço
Onde: Rua Dr. Falcão Filho, Nº 155, Anhangabaú – São Paulo
Horário: 13h às 18h (quinta a sábado)
Informações: instagram.com/woodstockrockstoreofficial

Sala São Paulo

A Sala São Paulo é um dos ambientes do Centro Cultural Júlio Prestes. O local foi todo restaurado e ficou pronto em 1999 e recebe mensalmente uma programação que traz a música clássica, bem como a contemporânea. Ela também é considerada um dos locais com melhor acústica no mundo. Então, seja para escutar música ao vivo com qualidade ou para contemplar as demais atividades oferecidas pelo centro cultural, esta é uma ótima pedida.
Serviço
Onde: Praça Júlio Prestes, Nº 16, Campos Elíseos – São Paulo
Horário: 6h às 00h (todos os dias)
Informações: salasaopaulo.art.br

Galeria do Rock

Por causa do nome, pode parecer que esta é mais uma sugestão para quem gosta de música pesada. Mas acredite, a galeria do rock é um dos espaços com maior diversidade de lojas de discos e vestuário para todas as tribos urbanas em São Paulo. Rock, punk, heavy metal, rap, indie rock, tudo isso em um só lugar. Entre seus diversos ambientes, recentemente eles abriram o Rooftop para expandir a experiência de quem passa por lá.
Serviço
Onde: Av. São João, Nº 439, República – São Paulo
Horário: 9h às 19h (segunda a sexta) e 9h às 18h (sábado)
Informações: instagram.com/galeriadorockoficial

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