Segundo a ONU, o TEA é o transtorno do neurodesenvolvimento que apresenta maior crescimento nos últimos anos, isso deve-se à melhoria na capacidade de diagnóstico
Abril Azul, você sabe o que significa? Representa inclusão, respeito, compreensão, muito amor, mas também batalhas diárias. Este mês foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma forma de conscientizar as pessoas sobre o autismo, assim como dar visibilidade ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada 160 crianças no mundo tem TEA. Segundo a própria ONU, é o transtorno do neurodesenvolvimento que apresenta maior crescimento nos últimos anos.
Não é fácil se imaginar em meio a interações sociais limitadas, ou conviver com regressão de habilidades. Daí a necessidade de uma sociedade mais consciente, menos preconceituosa e mais inclusiva. O intuito é a busca de diagnóstico precoce, tratamento e, por que não dizer, aceitação do TEA. O Abril Azul foi estabelecido com o objetivo de conscientizar a população sobre o autismo, envolver a comunidade e trazer visibilidade. E por que o azul? No autismo, a cor estimula o sentimento de calma e de maior equilíbrio para quem está no espectro.
Nos últimos anos, tem-se observado um notável aumento de autismo na sociedade moderna. Uma das razões pode ser atribuída à melhoria na capacidade de diagnóstico. Profissionais de saúde mental e educadores têm aprimorado suas habilidades de identificação do TEA, sendo capazes de reconhecer sinais e sintomas em estágios mais precoces. A conscientização sobre o autismo também tem aumentado, levando a uma busca mais ativa por tratamentos e intervenções.
O tratamento desde a infância é essencial para a evolução da criança. A psicóloga e anfitriã do Instituto Lielô, Heloise Dutra, destaca essa importância: “A intervenção precoce é essencial para o prognóstico positivo das crianças atípicas. Através das estimulações na fase inicial da infância, conseguimos aproveitar o período de neuroplasticidade para adquirir mais habilidades. As sessões, quando realizadas com profissionais capacitados e família empenhada, resultam de maneira gradativa em grandes conquistas”, enfatiza.
A médica otorrinolaringologista Juliana Caixeta lembra também da importância de ficar atento à alguns sintomas que podem garantir mais qualidade de vida para a criança. “Uma das características mais marcantes do TEA é o transtorno de linguagem. Inclusive, entra como um dos critérios para o diagnóstico”, explica. Dentre as alterações mais comuns pode se destacar já no primeiro ano de vida. Entre elas, o bebê chora pouco, se aninha pouco no colo, tem um contato visual pobre e não responde ao nome.
Além disso, entre 1 e 2 de idade, pode ocorrer um desenvolvimento de fala que, posteriormente, não irá se firmar ou desaparecer. “Alguns pais relatam que, após uma certa idade, a criança ‘parou de falar’ algumas das palavras aprendidas previamente. O mais comum, entretanto, é que a fala não se desenvolva de maneira adequada. É também muito comum que a criança pegue o adulto pela mão para demonstrar o que quer”, orienta a médica. Por isso a atuação do otorrinolaringologista e fonoaudiólogo são fundamentais nessa fase.


O salto que representa liberdade
Romper barreiras, ultrapassar limites e, principalmente, provar que o esporte do paraquedismo é para quem quiser se desafiar, inclusive aqueles que possuem TEA, esse é o objetivo do Projeto Salto Azul. A iniciativa está na sua 5ª edição e será realizada na cidade de Anápolis (GO), no próximo domingo (28). O evento ocorre a partir das 9h, na Escola de Paraquedismo Skydive Cerrado, com entrada gratuita. Os autistas são os verdadeiros protagonistas do dia, seja no ar, no canto, na dança, na brincadeira ou na interação.
Os visitantes ainda poderão acompanhar atrações como shows, apresentação de DJ, simulação de salto de paraquedas em realidade virtual, pula-pula, pipoca, algodão doce, brindes, arte interativa, pintura facial, flash tattoo, e inúmeros sorteios. Além disso, a organização do evento separou uma área de acomodação e regulação sensorial. O Salto Azul é uma rede de apoio, um espaço seguro de troca, acolhimento e conexão entre autistas, seus familiares e profissionais que trabalham em prol da causa.
Muitas vezes as famílias deixam de socializar por não terem um local preparado para os seus filhos autistas. Se sentem constrangidos pela troca de olhares que mais parecem um convite para se retirarem. O projeto Salto Azul surgiu justamente para combater isso. Momento oportuno para compartilhar histórias de desenvolvimento e superação de limites, para muito além de um salto. “Entendemos que eles podem ser o que quiserem. O ambiente é que deve estar preparado corretamente para recebê-los”, dizem as idealizadoras Rejane Damaceno e Mariana Fernandes.